28 de junho de 2018 | por Felipe Morgan
Dia Mundial do Orgulho LGBTI: da rebelião de Stonewall ao Pink Money

Data é um marco importante na luta contra o preconceito e a violência à população LGBTI

Na cidade de Nova Iorque, no dia 28 de junho de 1969, o público LGBT que frequentava o bar Stonewall Inn reagiu e resistiu às sucessivas batidas policiais realizadas no local. De lá para cá, nessa data, é celebrado o Dia Mundial do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersexo). A partir daí, os movimentos de luta pelos diretos dessa população tomaram força, formando várias organizações de defesa desta população ao redor do globo. Apesar de alguns avanços no campo dos direitos e da igualdade, pessoas LGBTI ainda vivem em situação de vulnerabilidade social.

Ao mesmo tempo, a luta contra a LGBTIfobia ganha força e é possível observar que cada comportamento discriminatório e LGBTfóbico é menos aceito, principalmente nas redes sociais. Junto a isso, existe um forte fator econômico ligado a essa comunidade. Pesquisas apontam que os LGBTI gastam 30% a mais do que os heterossexuais e Pink Money movimenta mais de R$ 3 trilhões por ano no planeta e R$ 150 milhões no Brasil. Isso desperta um interesse do mercado e as marcas, por sua vez, aproveitam o mês de junho (mês do orgulho LGBTI) para lançar novos produtos e campanhas voltados para este público.

É claro que é bom vermos grandes marcas se posicionarem em prol da diversidade. Entretanto, este posicionamento público, na maioria das vezes, não reflete um compromisso real destas organizações com a diversidade e a promoção dos direitos de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis e pessoas intersexo, tampouco em estruturas internas de trabalho. Sendo assim, fica a impressão de que estas ações não passam de uma apropriação, com o intuito de aproveitar todo o potencial financeiro que esta população oferece. Para a comunidade LGBTI, o Pink Money é visto como um poder econômico que fortalece e traz a valorização dos membros da comunidade entre si.

Podemos dar como exemplo a Parada do Orgulho LGBTI do Rio de Janeiro, que este ano será realizada pela 23ª vez em Copacabana e se consagrou como terceiro maior evento do estado, levando milhões de pessoas para a Av. Atlântica. Apesar de movimentar milhares de reais na economia do Rio de Janeiro, ano após ano, o Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, que organiza o evento, enfrenta dificuldades para conseguir o apoio e os recursos necessários para a realização do evento, tanto da esfera pública (cenário que se agravou nos últimos anos), como das empresas privadas.

As Paradas do Orgulho surgiram justamente em celebração à Revolução de Stonewall e são considerados grandes atos em prol da cidadania desse público e em celebração ao orgulho de ser LGBTI+. A Target coordena a comunicação da Parada há 15 anos e essa longa parceria se dá pelo fato de acreditarmos que temos um compromisso ético-social na construção de uma sociedade inclusiva e igualitária.

Acreditamos que a luta contra a LGBTIfobia é uma luta sem volta, que seguirá avançando apesar das dificuldades que vêm crescendo nos últimos anos (que podem ser vistas como um reflexo dos avanços conquistados por essa população). Sendo assim, espera-se que as empresas comecem a enxergar a importância, não apenas econômica, da promoção dos direitos, da igualdade e do respeito.

 

Escrito com o apoio do RP da Target Felipe Martins

Foto: Gataria_Tata Barreto