Circuito de Batalhas de Games promovido pelo Cinema Nosso destaca a importância cultural e pedagógica dos jogos eletrônicos

Atividades acontecem durante todo o mês em escolas públicas e destacam o empoderamento de jovens através dos games.

Levar uma experiência diferente de jogar videogame, proporcionar lazer, entretenimento e cultura a crianças e adolescentes, visando o empoderamento de jovens, em especial mulheres e meninas. Esse foi o objetivo do Circuito de Batalha de Games, que teve início no dia 7 de agosto, no Núcleo Avançado em Educação (NAVE), na Tijuca, sendo uma ação do Projeto Cinema Nosso – Arte, Educação e Tecnologia, que conta com patrocínio da Petrobras.

O Circuito de Batalhas de Games é um evento voltado para jovens remanescentes de escolas públicas e comunidades da cidade do Rio de Janeiro que, por meio desses encontros, têm o objetivo de levar jogos independentes brasileiros a fim de formar um público jogador. O Cinema Nosso é reconhecido como uma das maiores escolas populares de audiovisual na América Latina, tendo mais de 5 mil jovens formados em seus cursos.

As Batalhas também pretendem promover uma democratização do acesso à linguagem audiovisual multiplataforma, possibilitando, de forma lúdica, a difusão de narrativas através dos jogos eletrônicos. Na competição foram usados apenas jogos brasileiros independentes, para dar visibilidade à produção nacional, além de criar um ambiente de encontro entre seus desenvolvedores.

De acordo com Joshua Kritz, professor de programação do NAVE, estudos mostram que alguns jogos são ótimos para estimular a criatividade, integração e senso de integração entre os jovens. “Os jogos, em geral, mesmo em competições, vêm para trazer unidade entre as pessoas, principalmente agora, em que há uma preocupação muito grande com a identificação, aumento de representatividade, diminuição de preconceito. Como um estudioso, acho que os jogos levam informação e conhecimento para pessoas que antes não os tinham”, revela. E foi exatamente sobre isso que a estudante Luisa de Paula falou durante a abertura do evento: não se sentir, como mulher negra, representada nos jogos.

Além da disputa, o evento teve objetivo de elucidar os participantes sobre o processo de criação dos games e promover uma discussão a respeito da importância da formação no segmento e sobre o papel da cultura digital no cotidiano. “O Cinema Nosso é uma organização fundada há 18 anos e trabalha com projetos de inovação em audiovisual propondo novas narrativas através das mais diversas plataformas, entre elas os games. Os jogos possuem uma grande importância cultural, pedagógica e econômica. Jogo não é meramente entretenimento. Game é cultura, interatividade, é produção de narrativas sobre identidade, território e pode ser educativo. É uma ferramenta importante para mudar o mundo”, comenta Mércia Britto, diretora do Cinema Nosso.

Durante o circuito, houve uma mostra dos jogos Dandara – que já ganhou diversos prêmios conceituados na área de jogos de eventos como a SBgames e o BIG Festival –  e Sailor Saviors, criado na Game Jam Plus, evento que estimula a criação e a aceleração de novos grupos e estúdio de games independentes.

As Batalhas são restritas ao público interno. Os três primeiros grupos vencedores de cada Batalha se encontrarão na grande final, que acontecerá no dia 22/06, no Unicirco, no bairro de São Cristóvão, e será aberto ao público que quiser torcer pelos finalistas.

Sobre os jogos

O jogo Sailor Saviors é cooperativo em que quatro jogadores têm que defender um navio de ETs piratas que tentam dominar o mundo. A primeira versão do jogo foi produzida em 48h na Game Jam Plus e acelerado por mais dois meses. Ele foi finalista e ganhador de 2018 da Game Jam Plus na categoria júri popular de Curitiba.

Dandara é um singleplayer “exploratório” onde a personagem principal, Dandara, tem que liberar o mundo de um governo opressor, muito similar a uma ditadura. A personagem principal é baseada na Dandara dos Palmares, uma das líderes das lutas da libertação quilombolas. O jogo faz fortes referências à arte de rua de Minas Gerais e à artistas como Tarsila do Amaral, que é representada no jogo em uma das suas obras mais conhecidas, o Abaporu.

Sobrevoando mundos fantasiosos e céus repletos de cores vívidas. É apenas você, um estiloso cachecol, uma raquete de tênis a laser, e uma horda de fofinhos adversários tentando explodir você de volta para o chão. Misturando os clássicos gêneros dos Shoot’em ups e Block Breakers, Sky Racket é provavelmente o primeiro Shmup Breaker do mundo! Você pode jogar como um RacketBoy ou RacketGirl, guardiões escolhidos pela Deusa para salvar sua galáxia das patas de um destrutivo gênio tirano.