Nobel de Física vai para estudo sobre evolução do universo e descoberta de exoplaneta

No último dia 8 de outubro, três cientistas receberam um dos maiores reconhecimentos que poderiam ter em décadas de pesquisas: eles ganharam o Prêmio Nobel de Física.  Phillip James Edwin Peebles, físico canadense de 84 anos, e os astrônomos suíços Michel Mayor, de 77 anos, e Didier Queloz, de 53, dividiram o prêmio.

Peebles foi reconhecido por seu trabalho teórico na Cosmologia Física, desenvolvido ao longo de décadas, que é a base do nosso entendimento moderno sobre a história do Universo. Os resultados desses estudos mostraram que a matéria como conhecemos representa aproximadamente apenas 4% do conteúdo do universo. O restante é formado por duas componentes desconhecidas que constituem grandes questões da Astronomia na atualidade: a matéria escura, que ocupa cerca de 26% do universo, e a energia escura, que é responsável pela sua expansão acelerada, agregando outros 70% ao seu conteúdo.

“Professor James Peebles é um ícone da cosmologia moderna, dada as suas contribuições  (muitas!) que estabeleceram as bases do nosso entendimento atual sobre o universo. Ele também é responsável por introduzir métodos analíticos e numéricos que tornaram a cosmologia uma ciência preditiva, o que nos permite testar previsões teóricas com dados observacionais.  Prof. Peebles ainda publicou vários livros que são clássicos nesta área de pesquisa. Esse reconhecimento é, sem dúvida, mais do que merecido”, comemora o pesquisador Jailson Alcaniz, do Observatório Nacional, que atua na área de cosmologia.

O pesquisador Armando Bernui, também da Coordenação de Astronomia do Observatório Nacional, destaca a importância do trabalho premiado. “O prof. Peebles fez contribuições fundamentais ao que hoje consideramos o Modelo Padrão da Cosmologia. Em particular, ele deu contribuições à física da radiação que chega à Terra de maneira uniforme desde todos os cantos da esfera celeste. Ela é hoje conhecida como radiação cósmica de fundo, uma radiação relíquia do Universo primordial.”

Mayor e Queloz descobriram, em 1995, o primeiro planeta extrassolar, batizado de 51 Pegasi, utilizando o método de velocidade radial no Observatório de Genebra. Desde então, foram descobertos mais de 4 mil exoplanetas na Via Láctea.

Planetas extrassolares ou exoplanetas são planetas que orbitam outras estrelas que não o Sol. O estudo deles é importante para a ciência, pois fornece informações sobre processos que podem ter atuado na formação da Terra e do Sistema Solar, e também porque em alguns deles pode haver condições para a existência de vida. Por isso, os astrônomos tentam encontrar exoplanetas, com atmosfera, tamanho e massa semelhantes aos da Terra e que estejam na “zona habitável” da estrela hospedeira – o intervalo de distância entre a estrela e o planeta onde a temperatura na superfície do planeta permite manter água em estado líquido.

“Essa descoberta inaugurou uma nova era na Astronomia. Atualmente, o estudo de exoplanetas é uma das áreas que tem se desenvolvido mais rapidamente, em busca de vida fora da Terra e, quem sabe, vida inteligente”, comemora Jorge Marcio Carvano, pesquisador do Observatório Nacional.

O pesquisador Ramiro de la Reza, do Observatório Nacional, trabalhou com Mayor e comenta este grande reconhecimento. “Pessoalmente estou muito feliz e orgulhoso de saber que um amigo e colega, Michel Mayor, tenha ganho o prêmio Nobel de Física de 2019, junto com seu antigo assistente Daniel Queloz. Michel e Didier descobriram em 1995 o primeiro exoplaneta em volta de uma estrela de tipo solar. A realização de um sonho da história da humanidade que sempre se preocupou pela existência de outros mundos.  Nos fins dos anos 1960, comecei, junto com Michel, a trabalhar no Observatório de Genebra. Alguns anos mais tarde publicamos um trabalho junto com pesquisadores brasileiros, que hoje estão no LNA (Laboratório Nacional de Astrofísica, em Minas Gerais). Se tratava da descoberta da primeira estrela binária do tipo T Tauri clássica. Hoje, este objeto V4046 Sgr virou um laboratório protótipo para o estudo de estrelas jovens e virou também o tema de tese de Germano Quast, no ON, orientada por mim.”