Novo levantamento do céu do Hemisfério Sul libera seus primeiros dados

O telescópio do projeto S-PLUS foi adquirido pela colaboração que envolve o Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (IAG-USP), Observatório Nacional (ON), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Universidad de La Serena (Chile).

Um novo levantamento astronômico do céu do Hemisfério Sul está pronto para começar! O projeto S-PLUS (o Southern Photometric Local Universe Survey), uma colaboração majoritariamente brasileira, publica seu artigo pioneiro, com os primeiros dados obtidos: 336 graus quadrados de céu mapeado em 12 filtros – 4% do total previsto para os cinco anos de duração do projeto. Ao final, o levantamento terá mapeado um total de 9.300 graus quadrados de céu. Atualmente a fração observada é aproximadamente 25% do total, mas os dados ainda estão sendo processados. Os dados começaram a ser coletados no final de 2017 e funcionam como uma espécie de “calibração” do equipamento. As imagens são de uma área chamada Stripe-82 – faixa de céu observada por muitos outros levantamentos para ser usada como referência, o que permite comparar métodos e resultados e, assim, verificar se os equipamentos do S-PLUS estão funcionando perfeitamente para coletar as imagens de outras partes do céu. O S-PLUS é um mapeamento multicor do céu do Hemisfério Sul, um “espelho” do levantamento J-PLUS, que é dedicado ao Hemisfério Norte. O S-PLUS utiliza um telescópio robótico de 80 cm de diâmetro, chamado T-80, com 12 filtros: 5 bandas largas e 7 bandas estreitas. O número de filtros é o grande diferencial deste levantamento. Os demais projetos existentes operam com 5 filtros, geralmente. Os filtros bloqueiam grandes faixas da parte visível da luz emitida pelos objetos observados, o que permite estudar diferentes aspectos dos objetos celestes. Quanto mais filtros, mais precisas são as informações coletadas. O filtro possibilita concentrar a observação nas características mais importantes presentes na faixa de comprimentos de onda que o filtro permite passar. Com isso, o telescópio observa “pedaços" da luz emitida pelos objetos e depois esses recortes são montados para se conhecer a distribuição de energia do objeto. “A quantidade de filtros e a câmera grande são os diferenciais deste levantamento. Ela tem um campo de visada bem grande com resolução boa. Consegue, por exemplo, ver muitas galáxias numa única imagem. Com 12 bandas, conseguimos obter informação detalhada de milhares de objetos ao mesmo tempo. Isso permite trabalhar com a morfologia dos objetos, estudar a natureza e as distâncias deles”, explica a coordenadora do projeto, a professora Claudia Mendes de Oliveira, do IAG-USP. A programação de observação do telescópio está definida considerando a melhor visibilidade do céu. Com isso, o projeto tem cinco “sub-projetos”, otimizando o tempo de observação pelo equipamento. O telescópio é totalmente robótico, o que permite escolher qual sub-projeto será feito, de acordo com as condições climáticas. O mapeamento se concentra em objetos do céu austral. As imagens obtidas no levantamento principal são refeitas também com tempos de exposição mais curtos, permitindo registrar objetos muito brilhantes. São observadas galáxias anãs, quasares e objetos variáveis – objetos que mudam o brilho e precisam ser reobservados para classificá-los corretamente. O telescópio será usado ainda para observar as “Nuvens de Magalhães”, duas galáxias satélites da Via Láctea - galáxias pequenas, irregulares, próximas à nossa, mas com composição química bastante diferente. “É o primeiro projeto nacional desta escala. O levantamento inteiro ficará disponível para cada pesquisador olhar seu interesse. Os primeiros dados estão abertos para toda comunidade, não somente para os membros”, informa o pesquisador Roderik Overzier, do Observatório Nacional. O telescópio do projeto foi adquirido pela colaboração que envolve o Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (IAG-USP), Observatório Nacional (ON), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Universidad de La Serena (Chile). Ele está instalado no Cerro Tololo, Chile, em um dos melhores lugares do mundo para a astronomia. Além dessas instituições fundadoras, o projeto conta com a colaboração de mais de 100 cientistas em mais de 50 instituições nacionais e internacionais, envolvendo 20 estudantes, entre doutoramento, mestrado e iniciação científica, com 12 teses em andamento. O projeto S-PLUS é um investimento de mais de 2 milhões de dólares e tem apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Conselho Nacional de Desenvolvimento e Pesquisa (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e Financiadora de Inovação e Pesquisa (FINEP).   Contatos: Cássio Barbosa (contato de media) e-mail: cassioleandro@gmail.com tel. 11 9 95 12 72 04   Cláudia Mendes de Oliveira (coordenadora) e-mail: claudia.oliveira@iag.usp.br tel. 11 9 92 20 00 51   Roderik Overzier (coordenador) e-mail: roderikoverzier@gmail.com tel. 21 9 88 38 87 13

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