“Sob Traçantes” retrata vidas que são impactadas pela violência armada em grandes centros urbano

A guerra não declarada nos últimos tempos, dentro e fora das favelas, em periferias e penitenciárias, não só no Rio de Janeiro, mas também em outras grandes cidades do mundo, tem como principais vítimas os jovens negros e reflete um sistema sem projeto para a juventude. No meio disso, surgem pessoas moradoras desses locais, que não perdem a esperança de uma vida melhor, mostrando que violência se combate através da paz.

É isso o que vai mostrar “Sob Traçantes”, série produzida pela Jabuti Filmes, que pretende contar quem são essas pessoas, que histórias trazem consigo e o que as mantém fortes. Serão 13 episódios de 15 minutos, retratando o dia a dia de personagens que tiveram ou ainda têm sua vida impactada pela violência armada nos grandes centros urbanos, e como suas vidas mudaram após episódios trágicos, que as levaram a inventar maneiras de transformar a realidade das comunidades onde vivem.

A série conta histórias brasileiras e também tem episódios especiais relatando experiências semelhantes como na Colômbia e Síria, países em que a violência deixou cicatrizes eternas.  O primeiro episódio estreia no próximo dia 20, às 23h30, no Canal Futura, com uma história que há pouco tempo causou comoção popular. Marinete da Silva, revela como lida com a perda brutal da filha, Marielle Franco, executada no início de 2018 em um crime político.

A série “Sob Traçantes” vai ao ar todas as terças-feiras, às 23h30, no Canal Futura. Reprises ás quartas-feiras 4h45, sábado 19h15 e domingo 17h15. Todos os episódios estarão disponíveis no Futura Play.

 

Sinopses:

Episódio 1 – Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco

Católica fervorosa, Marinete lida com a dor da perda brutal não só com a fé, mas com o apoio da família, amigos e companheiros, e a certeza de que a luta da filha deu frutos.

Episódio 2 – Luis Penca

Na adolescência, expressava-se através da dança e da violência. Roubava e frequentava bailes funk. Entrava e saía da delegacia. Até que decidiu acertar a vida e injustamente foi preso por suspeita de roubo. Era inocente e, revoltado, agrediu os policiais, que corresponderam o tratamento. Após cuidar da velhice de suas duas mães, tornou-se cuidador de idosos.

Episódio 3 – Júlio Barroso – Julinho da Glória

Foi preso na favela com um BO forjado, que dizia que tinha uma metralhadora e havia trocado tiros com a PM. Foi condenado a 12 anos de prisão. Após oito anos, Júlio saiu decidido a retomar a vida. Hoje é produtor cultural, formador de opinião e escreve na ANF.

Episódio 4 – José Luiz (Snoop)

Passou toda a infância na rua, entre uma internação e outra na Funabem. Uma noite, com fome, deixou os amigos dormindo debaixo de uma marquise na Candelária e foi roubar pão. Por isso sobreviveu à chacina, em 93. Hoje José Luiz é casado e tem dois filhos. Trabalha em produção audiovisual.

Episódio 5 – Martinha

Nascida Marco Aurélio, aos 14 foi acolhida pela comunidade gay da Rocinha e batizada Martha. Hostilizada pelo tráfico local, foi para a prostituição, o período mais sombrio de sua vida. Depois de cursar Jornalismo, decidiu abrir seu salão de beleza na favela. Hoje, dona Dina tem orgulho da filha Martha.

Episódio 6 – Renato Ferreira (Topetão)

Nascido em Vigário Geral numa família muito humilde, trabalhava aos 7 anos para ajudar em casa. Mas a violência parecia um caminho natural. Aos 14, estava drogado, revoltado e armado. Mudou de vida, terminou os estudos, formou-se palhaço e hoje produz espetáculos circenses aqui e na Europa.

Episódio 7 – Carlos Henrique Bessa

Estudava medicina quando foi convocado para a 2ª Guerra. Após a guerra, tornou-se um conceituado oftalmologista e empresário de sucesso. Em 2014, inspirado pelos netos, produziu um livro sobre sua experiência.

Episódio 8 –  Luiz Machado

Luiz foi preso às vésperas de concluir a faculdade. Num momento especialmente violento do sistema carcerário, o rapaz branco, de classe média do interior, consegue reunir uma equipe de detentos e realizar um documentário. O filme rodou mundo e foi premiado em vários festivais. Hoje livre, continua mudando a vida de quem realiza filmes com ele e de quem os assiste.

Episódio 9 – Ivan Dario

Ivan ingressou num grupo revolucionário armado, foi preso e torturado pelo exército colombiano. Afastou-se da guerrilha e passou a militar pelos Direitos Humanos. Hoje, Ivan luta contra o recrutamento de menores por grupos armados, com resultados até na legislação da Colômbia.

Episódio 10 – Edivaldo Godoy

Desde muito jovem, Edivaldo realizava assaltos a bancos. Detento, liderou facções criminosas no presídio. Sobreviveu ao episódio de Carandiru. Estudou Direito para se defender e passou a ajudar companheiros de cárcere. Hoje, livre, formado, é integrante da Comissão de Políticas Criminais e Penitenciárias da OAB-SP.

Episódio 11 – Fabiola Lalinde

Em 84, um dos quatro filhos de Fabíola, estudante de Sociologia e membro do partido comunista, foi preso, torturado e morto pelo exército. Quatro anos depois, ela foi presa sob a falsa acusação de terrorismo e tráfico. O tempo na prisão ela transformou em força, coragem e estratégia. Fabíola conseguiu a condenação do governo pela execução. O arquivo que ela reuniu durante sua luta foi considerado pela UNESCO patrimônio da humanidade.

Episódio 12 – Moaaz Badawi

Moaaz nasceu em Damasco, em uma família de classe média alta. Em 2011 começaram os conflitos na Síria e sua vida mudou. O irmão prestava o serviço militar quando foi sequestrado pelo Estado Islâmico, obrigando a família a pagar resgate. Apavorada, a mãe o enviou para o Brasil antes que fizesse 18 anos e tivesse que servir o exército. Sozinho no país, Moaaz sofreu ao saber que amigos tinham sido baleados na guerra e convenceu a família a migrar. Pouco a pouco, o rapaz rebelde foi amadurecendo e conseguindo forças para reconstruir a vida.

Episódio 13 – Marcelo Olindi

Quando estourou a Guerra das Malvinas, Marcelo prestava serviço militar. Foi enviado às ilhas, ganhou uma metralhadora quebrada. Ele não sabia atirar, de qualquer modo. Depois das mortes de centenas de companheiros, pela guerra, frio ou fome, e do descaso oficial e do suicídio de tantos ex-combatentes, Marcelo luta para que sua história não seja esquecida. Para isso, o humor é sua maior arma.

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